Chegou uma cobrança de um contrato que a pessoa jura não ter assinado. Um empréstimo apareceu no nome de alguém da família. Um documento surgiu depois de uma morte. Um PDF diz que ela “assinou eletronicamente” — e ela não se lembra de nada disso. A reação é sempre a mesma: procurar a assinatura e comparar com a própria. É exatamente aí que quase todo mundo erra.

É dessa cena que parte Eu Não Assinei Isso — Como reconhecer sinais suspeitos em assinaturas no papel e no digital, novo título da Biblioteca Vale Judicial, de autoria do perito Caio César Alves de Azeredo, disponível na Amazon desde 24 de agosto de 2026 em edição Kindle.

Um livro escrito para quem não é perito

Diferentemente dos demais títulos do selo, este não foi pensado para o profissional. Foi pensado para a pessoa que se viu diante de uma assinatura — no papel ou na tela — que não reconhece, e que precisa decidir se a desconfiança tem fundamento suficiente para procurar quem examina com método.

São pouco mais de cem páginas e 35 ilustrações passo a passo, em linguagem simples, construídas a partir de casos reais da prática pericial (com todos os elementos identificadores removidos). O objetivo declarado é modesto e, por isso mesmo, honesto: o leitor não sai sabendo periciar; sai sabendo olhar.

O que o livro ensina a enxergar

O percurso vai do papel ao documento eletrônico, em seis capítulos:

  • Parecida demais, diferente demais — por que uma assinatura verdadeira nunca sai idêntica duas vezes, e por que a coincidência perfeita é justamente a que merece um segundo olhar;
  • A assinatura não é um desenho — o gesto gráfico: velocidade, pressão, continuidade, ataques, ligações e remates;
  • Onde a imitação começa a aparecer — tremor de hesitação, retoques e emendas, paradas onde não deveria haver parada, pressão uniforme demais e lentidão disfarçada de velocidade;
  • Quando a cópia fica boa demais — o paradoxo da coincidência perfeita e o quanto a imagem (digitalização, compressão, resolução) muda o que se vê;
  • O contrato diz “assinado” — mas o que isso quer dizer? — assinatura eletrônica simples, avançada e qualificada; integridade, autoria e validade como três perguntas diferentes;
  • A página que quase ninguém abre — onde mora a assinatura eletrônica: data e hora, endereço IP como pista (não como identidade) e por que a geolocalização impressiona mais do que deveria.

Sinal não é sentença

Há uma advertência que o próprio livro repete, e que vale destacar aqui porque é a mesma que rege o trabalho pericial: reconhecer um sinal não é concluir nada. Um tremor pode ter causa fisiológica; uma divergência pode ser variação natural; uma assinatura eletrônica com “IP e geolocalização” pode dizer muito menos do que parece. A conclusão sobre autenticidade cabe ao exame técnico, com padrões de confronto, método e contraditório — e, em juízo, ao perito nomeado nos termos dos arts. 156 e 464 e seguintes do Código de Processo Civil.

“Ao terminar, você não terá uma resposta. Terá perguntas melhores — que é exatamente o que separa a suspeita da acusação.”

Para quem é

  • para quem recebeu uma cobrança, um protesto ou uma execução baseada em documento que não reconhece;
  • para familiares que se deparam com contratos, procurações ou recibos após um falecimento;
  • para o advogado que precisa decidir, ainda na consulta inicial, se o caso pede exame técnico;
  • para quem quer entender, antes de aceitar um “assinado eletronicamente”, o que essa expressão de fato descreve.

Onde encontrar

Eu Não Assinei Isso está disponível na Amazon, em edição Kindle. Os demais títulos da Biblioteca Vale Judicial — O Primeiro Ano do Perito Judicial e Ganhar Não É Receber — estão reunidos na página de Publicações.

Olhe a assinatura de novo.

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