A sentença saiu, a comemoração passou. E agora? Entre o direito reconhecido e o dinheiro na conta existe uma fase inteira, com regras próprias e armadilhas caras: a liquidação e o cumprimento de sentença. É nela que advogados competentes cobram a mais — e devolvem em sucumbência — ou cobram a menos, e perdem um valor que ninguém nunca vai restituir.

É esse o tema de Ganhar Não É Receber — O método entre a sentença e o dinheiro, título da Biblioteca Vale Judicial escrito a quatro mãos por Caio César Alves de Azeredo, perito judicial contador com mais de oitocentas nomeações, e Julianna Costa, advogada com passagem por gabinete de magistrado. O livro está disponível na Amazon.

O processo é ganho duas vezes

A premissa do livro é que o processo se ganha duas vezes — e a segunda partida ninguém ensina na faculdade. O título executivo (arts. 515 e 784 do CPC) é o ponto de partida, não o de chegada: o que ele diz, o que ele cala e quem preenche esse silêncio decidem o valor que efetivamente entra.

Os autores partem de erros que veem se repetir há anos, contados em casos reais e anonimizados:

  • a execução que multiplicou dezesseis vezes carregando um erro de sinal que ninguém viu;
  • o excesso de execução de dez reais — e a diferença de três milhões;
  • a impugnação de mais de mil páginas que perdeu para uma resposta de poucas;
  • a execução contra um município que levou mais de cinco anos para pagar, atravessando uma emenda constitucional que mudou o valor do dinheiro sem que ninguém no processo percebesse.

Nove capítulos, uma ferramenta por capítulo

De cada caso sai um instrumento de trabalho, consolidado ao final num apêndice de consulta rápida:

  1. Ganhar não é receber — as três portas do erro e o preço de cada uma;
  2. O título manda — ler a sentença como credor; a liquidação não é apelação;
  3. O rito e a peça certa — título líquido ou ilíquido, contra quem se executa e o corredor da defesa (arts. 509 a 512 e 523 a 527 do CPC);
  4. A planilha que decide o processo — o demonstrativo é peça, não anexo (art. 524 do CPC); base contaminada e data-base;
  5. Juros e correção: o campo minado — capitalização, a série certa, os termos iniciais e finais que valem dinheiro, incluindo o regime da Lei 14.905/2024;
  6. Excesso de execução — as duas espécies, o requisito que mata defesas (art. 525, § 4º e § 5º, do CPC) e o “falso incontroverso”;
  7. Impugnar e ser impugnado — anatomia da impugnação que perde e da que vence;
  8. Fazenda Pública: outro jogo — precatório, RPV, o rótulo errado e a vigília que ninguém fez, no regime das EC 113/2021 e EC 136/2025;
  9. O perito, o assistente técnico e você — os três personagens técnicos, quando o assistente técnico se paga e os honorários periciais como jogo dentro do jogo.

Por que um perito e uma advogada escreveram juntos

A fase de cumprimento é o ponto do processo em que a técnica contábil e a técnica processual se encontram — e onde a falta de diálogo entre as duas custa mais caro. O perito vê a planilha que chega errada; a advogada vê a peça que chega sem a planilha. O livro nasce dessa interseção: método de cálculo apresentado como peça processual, e peça processual construída sobre número demonstrável.

“A aritmética não perdoa — e não avisa.”

Para quem é

Para advogados, iniciantes ou experientes, que querem transformar sentença em dinheiro pelo valor certo e no tempo certo; para assistentes técnicos e calculistas que precisam entender o rito em que a planilha será lida; e para quem já viveu a frustração de vencer no mérito e ver a execução se arrastar.

Onde encontrar

Ganhar Não É Receber está disponível na Amazon. Os demais títulos da Biblioteca Vale Judicial estão reunidos na página de Publicações.

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